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  • Vermelho como o Céu

sábado, 16 de julho de 2011

Panorama Mundial da Arte nos anos 60

No panorama mundial das artes plásticas, a passagem dos anos 50 para a década de 60 evidenciou-se pelo retorno à figura e pelo abandono dos abstracionismos – lítico, geométrico e informalismo - vertentes caracterizadoras das vanguardas do pós-guerra e da década subseqüente. Sem dúvida, um grande foco de vitalidade artística mundial nesse momento foi a retomada da figuração em seus diferentes encaminhamentos.
No quadro político, a década de 60 se abria sob a euforia do desenvolvimentismo do presidente Juscelino Kubitschek. Os primeiros anos foram de efervescência populista com os governos Quadros e Goulart, atalhada pela instauração do regime militar em 1964, acontecimento que levou vários artistas a sintonizar seu fazer artístico com os anseios de resistência civil, ligando-o cada vez mais com a realidade do país..
IMAGENS MARCANTES:
No panorama de facetas múltiplas que foi o do contexto histórico-artístico desse período, destacou-se como contraponto à visão e à sensibilidade européias a forte presença da Pop Art, de origem inglesa, mas polarizada e difundida pelos norte-americanos, a partir de 1962, como uma “tela de fundo” poderosa à qual se remetiam como ressonâncias a maioria das manifestações figurativas e realistas dessa época.

Influência da POP ART
A Pop Art foi a tendência mais decisiva no quadro das vertentes representativas da década de 1960. No nível da linguagem sua contribuição foi muito ampla, introduzindo técnicas e mitologias da imagem popular captadas no amplo repertório de imagens corriqueiras relacionadas a televisão, publicidade, história em quadrinhos, fotonovelas, jornais – um repertório icônico extremamente rico da cultura de massa suburbana e industrial, apropriado do horizonte cotidiano da sociedade de consumo. Sem manifestos e programas, a Pop Art se internacionalizou rapidamente, infiltrando-se na problemática da representação icônica e de sua comunicação.

No Brasil, sugestões da arte pop foram trabalhadas na década de 1960 por Antonio Dias (1944) - Querida, Você Está Bem?, 1964, Nota Sobre a Morte Imprevista, 1965, e Mamãe, Quebrei o Vidro, 1967 -, Rubens Gerchman (1942 - 2008) - Não Há Vagas, 1965, e O Rei do Mau Gosto, 1966 -, Claudio Tozzi (1944) - Eu Bebo Chop, Ela Pensa em Casamento, 1968, entre outros.


 
  
Tozzi, Claudio Usa e Abusa , 1966
tinta em massa e acrílica sobre madeira
33 x 52cm




As tendências neofigurativas presentes no panorama internacional ao longo da década de 1960 aportam no país, por meio de exposições da nouvelle figuration francesa e da otra figuración argentina, entre 1961 e 1966. Dentre elas, a coletiva da Escola de Paris, 1964, na Galeria Relevo, de propriedade de Franco e Boghici, marca o estabelecimento de relações mais estreitas e sistemáticas entre as vanguardas francesa e brasileira, que vão encontrar o seu ponto alto na mostra Opinião 65.
A Arte Brasileira nos anos 60
Na década de 1960, os artistas defendem uma arte popular (pop) que se comunique diretamente com o público por meio de signos e símbolos retirados do imaginário que cerca a cultura de massa e a vida cotidiana. A defesa do popular traduz uma atitude artística contrária ao hermetismo da arte moderna. Nesse sentido, a arte pop se coloca na cena artística que tem lugar em fins da década de 1950 como um dos movimentos que recusam a separação arte/vida.


“A pintura pretendia ser independente, polêmica, inventiva, denunciadora, crítica, social, moral. Ela se inspira tanto na natureza urbana imediata como na própria vida com seu culto diário de mitos". Com essas palavras, a marchand e jornalista Ceres Franco anuncia a exposição Opinião 65, organizada por ela e pelo galerista Jean Boghici.


Integrando as comemorações do IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro, a mostra ocupa o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, entre 12 de agosto e 12 de setembro de 1965, e reune vinte e nove artistas, treze europeus e dezesseis brasileiros.


Lee, Wesley Duke A Zona , 1965 acrílica e óleo sobre tela 130 x 97 cm Coleção Particular Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

A idéia central dos organizadores é estabelecer um contraponto entre a produção nacional e estrangeira - de modo a avaliar o grau de atualização da arte brasileira - a partir das pesquisas recentes em torno das novas figurações.

OBRAS MARCANTES
Se tomarmos o caso brasileiro e, dentro dele, três artistas, serão demarcados pontos notáveis dessa passagem que ainda se processa. São eles Hélio Oiticica, Nelson Leirner e Cildo Meireles. Por mais distantes que aparentem ser - e o são -, Oiticica, com seus Parangolés (fim da década de 1960), e Leirner, com seu O Porco (1966), propõem duas possibilidades para a arte, fora dos parâmetros das modalidades artísticas tradicionais.
                                       
Hélio Oiticica, Parangolé







Nelson Leirner. O porco. 1966. Porco empalhado com engradado de madeira. 83 x 159 x 62 cm.
nouvelle figuration
Cunhado pelo crítico Michel Ragon, em 1961, o termo nouvelle figuration visa designar o retorno à figuração, na qual se observa o tratamento livre da figura, fora dos moldes realistas e descritivos tradicionais, a partir de lições retiradas do informalismo, do expressionismo abstrato e da arte pop.

O impacto das novas linguagens figurativas na arte nacional é imediato, sobretudo em artistas cariocas, como Antonio Dias (1944), Carlos Vergara (1941), Rubens Gerchman (1942 - 2008), Roberto Magalhães (1940), Ivan Freitas (1932) e Adriano de Aquino (1946), participantes de Opinião 65.
A exposição abriga estilos e tendências variadas, aproximadas pela retomada da imagem figurativa.


Gerchman, Rubens
O Futebol, Flamengo Campeão , 1965
tinta acrílica sobre eucatex
244 x 122 cm
Coleção Bruno Musatti
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Marcos Históricos
1965 - Opinião 65

A figuração abrange a maior parte dos trabalhos apresentados, mas não dá conta da diversidade de linhas e trabalhos presentes na mostra. As obras de Carlos Vergara, por exemplo, permitem entrever um forte tom expressionista, aprendido nas aulas com Iberê Camargo.  


Vergara, Carlos Sonhos dos 24 Anos , 1966 óleo sobre hardboard

Os trabalhos de Flávio Império (1935 - 1985), assim como os Parangolés de Hélio Oiticica (1937 - 1980), também destoam do conjunto, pelo uso de linguagens próximas da coreografia e da arte ambiental.
Império, Flávio
Vinde a Nós , 1965
alto-relevo em gesso e tinta a óleo com moldura e base em chapa de ferro
52,5 x 40 cm
Coleção Amélia Império Hamburger
Reprodução fotográfica autoria desconhecida



                                       Hélio Oiticica veste o seu Parangolé
O "parangolé" é um exemplo maravilhoso dos fundamentos da interatividade. Oiticica quer a intervenção física na obra de arte e não apenas a contemplação separada proposição.  
O indivíduo veste o parangolé. Que pode ser uma capa feita com camadas de panos coloridos que se revelam à medida que ele se movimenta correndo ou dançando. Oiticica convida a participação do tempo da criação de sua obra. A obra requer "completação" e não simplesmente contemplação. Esta concepção de arte, ou "antiarte", como preferia Oiticica, sugere a aprendizagem na mesma perspectiva da
co-autoria. Que caracteriza o parangolé.
Ceres Franco afirma vinte anos depois: "Opinião 65 teve representantes de todas as tendências, mas a imagem figurativa pintada era o que dominava então". Integram a mostra obras do inglês Wright Royston Adzak (1927); dos argentinos Antonio Berni e Jack Vanarsky; dos espanhóis Manuel Calvo (1934) e José Paredes Jardiel; dos franceses Gérard Tisserand (1934) e Alain Jacquet (1939); entre muitos outros. Dentre os brasileiros, além dos já citados, estão presentes Pedro Escosteguy (1916 - 1989), Waldemar Cordeiro (1925 - 1973), Ivan Serpa (1923 - 1973), José Roberto Aguilar (1941) e Adriano de Aquino (1946).
O impacto de Opinião 65 pode ser aferido pela recepção crítica da época (por exemplo, os textos elogiosos que Ferreira Gullar (1930) e Mário Pedrosa (1900 - 1981) escrevem sobre ela, respectivamente, nos Cadernos da Civilização Brasileira, n. 4, 1965, e no Jornal do Comércio, 1966) e por outras exposições subseqüentes, consideradas seus desdobramentos diretos: Opinião 66 (Rio de Janeiro), Propostas 66 (São Paulo), Vanguarda Brasileira (Belo Horizonte, 1966), além da coletiva Nova Objetividade Brasileira (Rio de Janeiro, 1967).
Grupo Rex        

Histórico Apesar de sua breve existência - de junho de 1966 a maio de 1967 -, o Grupo Rex tem intensa atuação na cidade de São Paulo, marcada pela irreverência, humor e crítica ao sistema de arte. Os mentores da cooperativa, Wesley Duke Lee (1931-2010), Geraldo de Barros (1923-1998) e Nelson Leirner (1932) projetam um local de exposições - a Rex Gallery & Sons - além de um periódico - o Rex Time - que deveriam funcionar como espaços alternativos às galerias, museus e publicações existentes.
Mentores do Grupo Rex
À origem desta cooperativa artística paulista relaciona-se ao episódio em que Wesley Duke Lee, Nelson Leirner e Geraldo de Barros retiraram suas obras da exposição coletiva Propostas 65, em protesto e em solidariedade ao artista Décio Bar que teve alguns de seus trabalhos censuradas pelo regime militar. Teria sido justamente após este incidente, que estes artistas decidiram não apenas formar um grupo, mas abrir uma galeria e publicar um jornal, como ‘frentes de luta’, para questionar e combater a mistificação da arte e o circuito se formava em torno dela: galerias, marchands, críticos, mídia.

Exposições, palestras, happenings, projeções de filmes e edições de monografias são algumas das atividades do grupo, do qual participam também José Resende (1945), Carlos Fajardo (1941) e Frederico Nasser (1945), alunos de Wesley. Instruir e divertir são os lemas do Grupo Rex e do seu jornal; trata-se de interferir no debate artístico da época, em tom irônico e desabusado, por meio de atuações anticonvencionais. Guerra ao mercado de arte, à crítica dominante nos jornais, aos museus, às Bienais e ao próprio objeto artístico, reduzido, segundo eles, à condição de mercadoria. Recuperar o espírito crítico e o caráter de intervenção da arte pela superação dos gêneros tradicionais e pela íntima articulação arte e vida, eis os princípios centrais do grupo. É possível flagrar na experiência do Grupo Rex, a inspiração no espírito contestador do dadaísmo e em suas manifestações pautadas pelo desejo do choque e do escândalo. Nota-se também a retomada do feitio interdisciplinar e plural do Fluxus, além das marcas evidentes da arte pop na linguagem visual do grupo.



 Na confluência de vários projetos de vanguarda, situa-se a Nova Objetividade Brasileira, uma neovanguarda que erigiu – como proposta de uma arte comprometida com uma produção cultural de militância política – uma complexa articulação de modernidade, de renovação artística tributária do internacionalismo das artes e ao mesmo tempo imbricada com um pensamento político, uma criatividade mais autêntica e original, no sentido de se situar ante parâmetros atuais da realidade nacional e de dar continuidade ao amplo movimento didático conscientizador iniciado pelos CPC’s.


Fontes e referências:
http://www.blogger.com/goog_123570041



http://www.blogger.com/goog_123570041


http://www.blogger.com/goog_123570041


http://www.blogger.com/goog_123570041


http://www.blogger.com/goog_123570041


http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/index.html



Relatório de Observação do Ensino de Artes no Ensino Fundamental

Relatório de Observação do Ensino de Artes no Ensino Fundamental


1. Identificação do nível de ensino e características gerais da turma:
Esta observação foi feita em uma escola municipal de ensino fundamental na zona urbana de São Leopoldo, considerada uma área nobre da cidade. A escola atende atualmente 320 alunos entre a educação infantil e o 6º ano, divididos nos turnos manhã e tarde. A turma observada foi um 3º ano do turno da manhã que tem como características ser uma turma com algumas crianças com necessidades especiais, incluindo um aluno com a Síndrome de Asperger, uma aluna com TDA-H e outros casos como problemas de comportamento. A turma é constituída por 21 alunos dos quais a maioria estuda nesta escola desde o 1º ano, não sendo considerada uma turma homogênea em relação a aprendizagem, pois alguns alunos possuem bastante dificuldades de aprendizagem.

2. Aspectos relativos à formação e atuação do/a professor/a (sem citar nome):
A professora tem formação em Pedagogia e atua no magistério há 19 anos, sempre lecionando para as séries iniciais. Seu trabalho tem como base os valores morais, a socialização do aluno e o desenvolvimento de habilidades como desenho, pintura, recorte e colagem principalmente. Conhece bem os alunos e as dificuldades de cada um. É o segundo ano
que atua como professora de artes, em anos anteriores tinha regência de turma.

3. Caracterização do espaço de trabalho e recursos disponíveis:
A sala de aula tem um tamanho adequado á quantidade de alunos da turma, sendo bem iluminada e arejada. Possui cortinas nas janelas e está sendo instalado um ar condicionado por ser uma sala muito quente durante o verão. As crianças dispõem de diversos recursos materiais na própria sala de aula. Há cartazes nas paredes da sala como o de ajudante do dia, aniversariantes, alfabeto ilustrado, varal para pendurar os trabalhos, um computador, estante com livros didáticos, revistas para recortar, brinquedos, armário com materiais da professora e outros de uso da turma. A aula de artes é dada uma vez por semana e tem a duração de duas horas.

4. Observação da situação de ensino-aprendizagem:
A professora escreveu no quadro verde o roteiro da aula para que os
alunos copiassem.
Primeiro os alunos terminaram o trabalho da aula anterior. A seguir foi contada a história sobre um tigre que vivia debochando dos outros animais da floresta. As palavras da história que as crianças não sabiam o significado a professora explicava. Durante a leitura a professora conversava com as crianças a respeito das atitudes do personagem. Os alunos começaram a relacionar a história com acontecimentos de suas vidas e a relatá-los aos colegas. Foi discutido o relacionamento e o respeito entre as pessoas. Ao término da história a professora discutiu com as crianças sobre o comportamento do personagem e explicou como seria o desenvolvimento da atividade: disse que deveriam pintar o desenho do tigre bem forte e caprichado, recortando em seguida e montando o tigre. Mostrou um trabalho pronto feito por ela e demonstrou como recortar a parte do trabalho que é uma espiral. Distribuiu as folhas com os desenhos mimeografados para os alunos começarem o trabalho.
Houve um planejamento prévio desta aula por parte da professora, mas para mim não ficaram claros os objetivos desta atividade. Seriam eles somente pintar o desenho dentro dos limites, recortá-lo e montá-lo? Aparentemente sim. Não percebi novas construções de conhecimento por parte dos alunos, já que as habilidades aqui desenvolvidas já lhes são corriqueiras, como pintar, recortar e colar. A criatividade também ficou tolhida, pois quase todos alunos pintaram o desenho com as mesmas cores e da mesma maneira, conforme o modelo mostrado pela professora.
A avaliação é feita pela professora no decorrer da aula levando em consideração a participação do aluno e o capricho com o material utilizado.
Exemplo do trabalho feito pela professora e mostrado para a turma.
Texto Reflexivo:
Com base nas reflexões teóricas lidas esta aula não desenvolveu o construtivismo crítico, pois não levantou questões sobre alguma ideia-chave nem tão pouco propôs questões sobre alguma representação visual produzida em outro tempo e lugar. Piaget coloca que o conhecimento emerge da relação dialética do sujeito com o objeto, e que no caso da Arte e seu ensino é
necessário levantar questões sobre os temas, ideias-chave, como a mudança, a identidade, a representação de fenômenos sociais e indagar como essas concepções afetam cada um. A meu ver não houve o ensino da interpretação nesta proposta de aula, não adquiriram novos conhecimentos e também não desenvolveram novas habilidades. A criatividade não teve espaço, pois todas crianças pintaram o mesmo desenho utilizando o mesmo material. Além disso, a sala também mostra imagens estereotipadas, como o palhaço e a borboleta dos cartazes que aparecem nas fotos acima. Notei que a professora tem como hábito dar os modelos prontos aos alunos, não proporcionando a criação, nem desenvolvendo a observação. Infelizmente esta prática é muito comum nas escolas porque torna a aula mais “silenciosa”, “sem bagunça” e “sem sujeira”.
Faltam imagens visuais de qualidade não só na sala de aula como também no restante da escola, além da professora precisar se desacomodar, criando aulas que desenvolvam nos alunos novas experiências e aprendizagens.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A Proposta Triangular como a manifestação pós-moderna na arte/educação brasileira.

O DBAE é a manifestação americana pós-modernas no ensino da arte e a Proposta Triangular a manifestação brasileira que procura responder ás necessidades brasileiras, em especial a de ler criticamente o mundo. Estes dois sistemas de arte/educação se diferem, pois o brasileiro é baseado em ações: fazer-ler-contextualizar, sendo que o americano é baseado em disciplinas: estética-história-crítica e numa ação, o fazer artístico.

Oswald de Andrade escreveu o Manifesto Antropófago criando o Movimento Antropofágico, com a intenção de "deglutir" a cultura europeia e transformá-la em algo bem brasileiro. Este Movimento, apesar de radical, foi muito importante para a arte brasileira e significou uma síntese do Movimento Modernista brasileiro, que queria modernizar a nossa cultura, mas de um modo bem brasileiro.

A orientação de ambas as propostas, brasileira ou norte-americana, é incluir o estudo e a leitura de obras de arte nas atividades curriculares. Dentro do pensamento Antropofágico Ana Mae Barbosa procura um modo de trabalho não restrito à disciplinarização do conhecimento e à História da Arte, concebida dentro dos padrões enciclopédicos europeus. Essa metodologia procura integrar o fazer, o fruir e o conhecer os contextos da arte global com as culturas regionais e locais. Todavia, ao se definir a obra de arte como um dos pontos centrais do trabalho pedagógico em artes, não se está elegendo obras da cultura erudita ocidental como eixo fundador de uma metodologia.

Ensinar Artes, no Brasil, pressupõe que se dialogue com uma diversidade de culturas, etnias, religiões, saberes informais e, também, com toda a inserção de artefatos de consumo e produções midiáticas contemporâneas. Esta proposta contribuiu de modo positivo no ensino de artes no Brasil porque contribuiu com uma abordagem intercultural, onde múltiplas culturas e a pluralidade de suas manifestações interagem.

Como a Proposta Triangular é aberta a diferentes enfoques estéticos e metodológicos o professor precisa estudar e procurar sólidas bases conceituais para fundamentar seu trabalho, não impondo métodos aos alunos, fazendo com que sua didática vire uma receita, como já ocorreu com esta metodologia triangular quando da proliferação de trabalhos em cima de releituras de obras de arte. Mesmo que o professor se baseie em métodos, não existem conhecimentos acabados e professores e alunos devem caminhar juntos na busca de novos conhecimentos.

Referências:
http://www.periodicos.udesc.br/index.php/linhas/article/viewFile/1265/1076
Barbosa, Ana Mae (org.). Ensino da arte: memória e história. São Paulo: Perspectiva, 2008.
http://peadportfolio156704.blogspot.com/2007/10/novas-descobertas.html

A Influência de John Dewey na arte educação

   Ana Mae ressalta a importância do pensamento filosófico de John Dewey na educação brasileira através do educador Anísio Teixeira, que foi o grande modernizador da educação no Brasil. A Escola Nova tomou como principal ideia de arte a interpretação equivocada de arte como experiência consumatória, sendo que para Dewey a experiência de arte não se dá apenas no estágio final, mas durante todo seu percurso.

   No Brasil a prática da “experiência consumatória” tinha o objetivo de fixar e organizar noções aprendidas em outras áreas de estudo através de desenho e outros trabalhos manuais, completando a exploração de determinado assunto. Este pensamento baseia-se na ideia de que a arte pode ajudar na compreensão dos conceitos e esta estratégia é utilizada até hoje.

   Vejo como positiva a inserção da experiência consumatória na escola a oportunidade dos alunos realizarem diferentes expressões artísticas, principalmente com as artes visuais, essencial para oportunizar possibilidades de novas visões, comunicações e percepções.

Como aspectos negativos desta experiência consumatória percebo:

a divisão das disciplinas ensinadas fragmentadamente, sem que o professor de uma saiba o que o da outra está trabalhando;

pedagogização da arte, utilizando desenhos pedagógicos, geométricos e cópias de estampas;

a sistematização de técnicas como pinturas com lápis de cor, giz de cera, recorte, colagem, etc

  Nestas aulas de artes faltava o que hoje sabemos ser essencial para a vivência cultural de cada um: as obras de arte. Foi somente na pós-modernidade que a imagem entra para ser decodificada e interpretada em sala de aula. A obra de arte inspira modos de vida, olhares, sentimentos e dialoga com o espectador, sendo determinada por seu contexto histórico-cultural. Neste contexto a proposta triangular de Ana Mae abrange muito mais do que simplesmente fechar determinado assunto através de uma atividade manual de arte: provoca o aluno a compartilhar histórias, dividir o tempo e o espaço em relações sociais, inserindo expressões e viveres constituídos histórica e socialmente, mas principalmente instigando a uma leitura crítica do mundo, o que não ocorria na experiência consumatória.

O aprendizado da arte não se dá somente através de um método entre as paredes de uma sala de aula. A arte pode e deve ser experimentada de diferentes maneiras, incluindo-se visitas a museus e instituições culturais, podendo liberar sensações de pertencimento, identidade ou resgatar tradições.


Referências :


http://www.artenaescola.org.br/livros_detalhe.php?livro=43
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Mae_Barbosa
Entre memória e História, Ana Mae Barbosa, disponível em:
http://moodle.regesd.tche.br/mod/resource/view.php?id=14686

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Plano de Aula de Artes

Confecção de máscaras de gesso

Plano de Aula de Artes Visuais
Identificação:
Este plano de aula destina-se às turmas da EJA das etapas III, IV e V da E. M. E. F. Zaira Hauschild da cidade de São Leopoldo. São alunos do noturno com idades que variam entre 16 e 46 anos. As aulas de artes ocorrem uma vez por semana e tem a duração de 1h 50min. É uma escola localizada em uma região industrial do município e a maioria dos alunos trabalha durante o dia, o que colabora com a situação econômica deles, pois adquirem o material que é solicitado. As três etapas juntas somam um total de 60 alunos matriculados, dos quais atualmente 40 estão frequentando as aulas com regularidade.

Desde o início do ano a escola tem realizado reuniões com os professores a respeito da implementação da Lei 10.639 que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares. De comum acordo os professores desta escola comprometeram-se incluir esta temática em seus conteúdos e dentro do possível relacioná-los com outras disciplinas.

A partir deste compromisso a professora de artes destas turmas levou para dentro da sala de aula a discussão em torno da Lei 10.639. A partir de debates entre os alunos foi proposto que levantassem ideias de como trabalhar esta temática nas aulas de artes.

Tema:
 No início do ano letivo de 2011 estas turmas pesquisaram sobre a origem do uso de máscaras nos carnavais e demonstraram interesse em aprender técnicas de confecção de máscaras. A partir da ideia de confecção das máscaras serão feitas pesquisas que terão como tema propulsor:

“A origem e utilização de máscaras em antigas culturas africanas e suas utilizações ligadas às artes na contemporaneidade.”

Objetivo Geral:
Despertar o interesse pelas diversas culturas africanas, identificando os países que compõe a África e fazendo com que o aluno compreenda que ela é o berço da civilização, reconhecendo a importância do legado destas diversas identidades culturais para a arte de todos os tempos e em especial para a arte contemporânea.
Objetivos Específicos:
Desenvolver o gosto pela pesquisa oportunizando diversas formas de materiais: livros, revistas, internet;
Promover a discussão da importância do estudo da História e Cultura Afro-Brasileira na escola;
Desenvolver habilidades manuais na confecção de máscaras;
Compreender a importância da utilização das máscaras nos rituais religiosos dentre diferentes culturas;
Identificar diferentes utilizações das máscaras na arte contemporânea;
Desenvolver a criatividade através elaboração e criação de uma máscara
Proporcionar a socialização entre colegas de turma e de escola.
Conteúdos:
Ao desenvolver a temática sobre máscaras serão abordados diversos conteúdos de forma interdisciplinar;
história da arte- o uso das máscaras em rituais religiosos, teatro, carnavais, etc
geografia- localização do continente africano e seus países;
história da humanidade-civilizações africanas tais como egípcia, etc e a importância das máscaras nestas culturas;
sociologia -racismo, preconceito, etc
diferentes técnicas de confecções de máscaras;
a importância e utilização de máscaras dentro do período da arte contemporânea.

Metodologia:

Aula 1 (2 períodos de 50min cada)
Cada aluno receberá em folha de xerox a lei 10.639 e a partir de sua leitura será discutida a importância do estudo da cultura afro-brasileira nas escolas. Será pendurado na sala de aula o mapa mundi, na qual os alunos deverão localizar a África e seus países. Os alunos serão reunidos em 3 ou 4 grupos e deverão pintar e recortar os países que compões a África, montando como um quebra-cabeças este continente. Para tal atividade cada grupo receberá o material na qual realizará o trabalho. Poderão pesquisar o nome e localização dos países no mapa colocado na parede da sala ou no livro didático que possuem.

Aula 2 ( 2 períodos de 50min cada)

Cada aluno receberá uma folha de xerox sobre as máscaras como objetos ritualísticos dentro das diversas culturas africanas. Após a leitura dete material a turma se encaminhará para a sala de informática e pesquisará sobre este assunto na internet. Será sugerido que façam uma pesquisa em imagens, bucando por máscaras de diferentes tipos: africanas, carnavalescas, egípcias, de hallowenn, etc. Ficará claro que a ênfase será nas máscaras africanas.

Após o retorno à sala de aula os alunos serão convidados a criarem um esboço de uma máscara. Farão um desenho em uma folha de desenho utilizando lápis, lápis de cor e canetinhas se assim desejarem.
Será pedido o material para a confecção da máscara que será na próxima aula.

Aula 3 ( 2 períodos de 50min cada)
A professora exibirá em um computador na própria sala de aula dos alunos um vídeo em duas partes retirado do you tube na qual uma professor de artes demonstra a técnica da confecção de máscara de gesso utilizando atadura gessada. Após a apreciação deste vídeo serão tiradas dúvidas e partiremos para a prática, ou seja, a confecção das máscaras de gesso.

Em duplas os alunos seguirão os passos estudados para a confecção das máscaras e executarão a tarefa até a parte da retirada da máscara de gesso do rosto. Todas mácaras ficarão na escola secando até a próxima aula.

Aula 4 ( 2 períodos de 50 min cada)
Com a máscara já seca os alunos farão com a ajuda de um estilete e tesoura perfurações nos locais dos olhos. Após passarão massa corrida sobre a mesma, utilizando os dedos. Após a secagem da massa corrida o aluno deverá lixar delicadamente sua máscara. Feito isto cada aluno com base em seu projeto de desenho da máscara desenhará sobre a máscara de gesso e logo após iniciará a etapa final que é a decoração, seja ela feita com tintas, lantejoulas, etc

Avaliação:
A avaliação será feita de duas maneiras: uma em grupo e outra individual. A turma será convidada a discutir em grupo se gostou de realizar a atividade, quais pontos foram positivos e quais foram as dificuldades encontradas. Também será feita individualmente, por meio de auto-avaliação: cada aluno deverá escrever sobre seu desempenho, sua participação e assiduidade nas aulas, se trouxe o material solicitado, seu interesse e comprometimento com a atividade, e se houve aprendizado citar o que achou mais importante.

Culminância:
Será feita uma Mostra com as máscaras confeccionadas, em local a ser decidido posteriormente. Como todo processo será registrado através de filmagem e fotografia, estes recursos também farão parte da Mostra. Será um momento de troca de idéias e opiniões, além da apreciação visual e estética das máscaras feita de maneira crítica e construtiva.

Referências:
http://www.oeducador.net/index.php/component/content/article/38-artes/134-mascaras?format=pdf
http://www.caminhosancestrais.com.br/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=37
http://www.youtube.com/watch?v=t6X8RaQb91A&NR=1&feature=fvwp
http://www.youtube.com/watch?v=EoY95YFfs_A
http://www.oeducador.net/index.php/component/content/article/38-artes/133-mascaras
http://www.interativavirtual.com.br/mascaras
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=650151
http://www.anitamulher.com.br/anita/aprenda-a-fazer-mascaras-de-gesso/
http://www.coladaweb.com/cultura/historia-das-mascaras
http://www.flogao.com.br/czeiger/124477639
http://www.leidireto.com.br/lei-10639.html

Exposição no Margs

" Iberê Camargo e o ambiente cultural brasileiro do pós-guerra"

  Tive a oportunidade de participar no dia 11 de junho da formação de professores na Fundação Iberê Camargo sobe a exposição " Iberê Camargo e o ambiente cultural brasileiro do pós-guerra". Encontrei neste curso a professora Elisete Silva Armando e tricotamos muito sobre a exposição. Quero agradecer a esta professora por te sido tão simpática e pacienciosa comigo. Foi uma palestra muito interessante com o curador da exposição, pois falou do concretismo, neoconcretismo e abstracionismo, justamente assuntos que estamos tabalhando no Seminário Arte no Brasil II. Quem tiver oportunidade visite a exposição, pois através dela compreendemos melhor o processo artístico de Iberê Camargo. Participar de espaços de formação como este são muito enriquecedores, pois também recebemos material didático produzido pela própria Fundação Iberê Camargo para trabalharmos em sala de aula com nossos alunos, podendo fazer a culminância deste trabalho com uma visita à exposição.
                         Estas são algumas das obras expostas

sábado, 4 de junho de 2011

EXERCÍCIO DA DISCIPLINA DE ARTE E TECNOLOGIA DIGITAL II

video
FAZENDO ARTE NA ESCOLA FRANZ LOUIS WEINMANN

PLANEJAMENTO EDUCACIONAL EM ARTES VISUAIS

PLANEJAMENTO EDUCACIONAL EM ARTES VISUAIS
O ensino de Artes Visuais na Contemporaneidade
ABORDAGEM TRIANGULAR

ANA MAE BARBOZA



Ana Mae Barbosa , em sua Proposta Triangular, afirma que o aluno deve contextualizar, apreciar, e fazer para que tenha um aprendizado significativo na área das artes.



Sob esses tópicos recaem muitos conceitos e teorias acerca do que é mais valido e mais necessário no ensino das artes.
Conhecer Arte
 possibilita o entendimento de que arte se dá num contexto, tempo e espaço onde se situam as obras de arte.



Ana Mae propõe que se trabalhe a contextualização nas aulas de artes em um contexto próximo e relacionado com o do aluno.
Apreciar Arte
desenvolve a habilidade de ver e descobrir as qualidades da obra de arte e do mundo visual que cerca o apreciador. A partir da apreciação educa-se o senso estético e o aluno pode julgar com objetividade a qualidade das imagens.
Fazer Arte
desenvolve a criação de imagens expressivas, os alunos conscientizam-se de suas capacidades de elaborar imagens, experimentando os recursos da linguagem, as técnicas existentes e a invenção de outras formas de trabalhar a sua expressão criadora.
Aspectos metodológicos da proposta Triangular:


O aluno tem a possibilidade de ler e interpretar o mundo contextualizando eventos sócio culturais e ampliando seus conhecimentos.



Desenvolver e estimular a criatividade do aluno nas suas produções artísticas.


Possibilita os alunos criarem conceitos e opiniões ao apreciarem uma obra de arte visual , inclusive suas próprias criações.


Possibilita o aluno realizar releituras com o objetivo de conceber uma nova leitura.


Despertar o interesse pela história da arte através da ampliação de leitura de imagens.


Evidenciar no aluno todas as suas possibilidades e limitações de sua linguagem plástica.


Adaptar os alunos a uma análise processual da criação de imagens (leia-se todo objeto artístico).


Colaborar para uma construção de formas mais expressivas que corroboram em um pensar sobre o processo artístico , que o aluno o fará de um jeito bem mais “lúdico”.


A Proposta Triangular deu segurança à disciplina por enfocar a arte como expressão e como cultura na sala de aula, introduzindo a discussão sobre arte e a leitura e análise da obra de arte na escola. Enfim, introduziu a produção dos artistas na escola .



A Proposta Triangular representa a tendência de resgate dos conteúdos específicos da área, na medida em que apresenta, como base para a ação pedagógica, três ações mental e sensorialmente básicas que dizem respeito ao modo como se processa o conhecimento em arte.



Diz Ana Mae ( 1991,p.10): “ O que a arte na escola principalmente pretende é formar o conhecedor, fruidor e decodificador da obra de arte ( ...).A escola seria a instituição pública que pode tornar o acesso à arte possível para a vasta maioria dos estudantes em nossa nação ( ... ) .
Fontes:



www.sescsp.org.br/sesc/revistas/revistas_link...



apeduufrgs2007.pbworks.com/f/OFICINA+ACM


www.artenaescola.org.br/pesquise_artigos_texto.php?...


http://artesvisuaisemacao.blogspot.com/2007/10


Revista de educação CEAP – Ano 11 – nº 43 – Salvador, dez/2003 ( p.55- 65)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Estranha Fala da Arte

  Anita Koneski através de seu texto propõe uma reflexão a partir de um outro ângulo, que “pense a arte-educação por caminhos diversos” em função da “crise” de interpretação, que vivemos na contemporaneidade. Trata-se de uma provocação: fazer com que o arte-educador pense de um modo diferente, levando em conta a vocação da arte contemporânea para o estranhamento. As questões levantadas pela autora são extremamente desafiadoras, e penso que não tenhamos as respostas:



“(...)Como fica a Arte-Educação mediante as propostas de Blanchot, Levinas e tantos outros teóricos que nos cercam hoje com suas teorias semelhantes, a respeito da arte contemporânea? Ou como falar para nossos alunos, ou ensinar arte a partir de uma arte que se posiciona com vocação para o estranhamento, conforme atestam Levinas e Blanchot? Ou, ainda, como ler um objeto de arte que sufoca enquanto é presença de algo que nos parece um absolutamente outro em nosso meio, quando sempre demos a ele a função de contribuir para nossa existência?”(KONESKI)

Essas perguntas se justificam a partir do entendimento de que a forma tradicional de ler arte tornou-se obsoleta e já não faz sentido diante da complexidade da arte contemporânea. Além disso, estamos diante de um aluno que também não é mais o mesmo e que está muito mais conectado com a arte contemporânea, a mídia, as Bienais, a arte nas ruas, do que com a da arte do passado.

Os fundamentos em que se baseavam o entendimento do que é ou não arte já não se aplicam. A própria noção de contemplação já não nos serve mais. Nas palavras da autora, “(...) há um momento em que parece não ser mais possível pensar a arte como antes, seja como pensamento moderno” ou do passado clássico”.

A autora ainda aborda a questão da arte contemporânea se de difícil compreensão:

“Como pensar uma arte em que tudo o que nos constrange é a sensação de que estamos diante de um objeto que não tem, aparentemente, absolutamente nada a ver com a nossa existência, pois não mais parece definir um mundo histórico? Como falar desse objeto aos nossos alunos, quando se trata de falar de contemplação da obra de arte? Será que a contemplação nos moldes tradicionais serve a essa arte? Então, o que é contemplar uma obra de arte hoje?”

Ficamos sem saber como pensar e como agir diante dessas questões, que são nossas também. Os conceitos e pressupostos que utilizávamos para compreender a arte até então já não servem mais. Como falar dessa arte para nossos alunos? Não é possível pensar o mundo e a arte como antes. Uma nova forma de ver a arte se institui: o estranhamento. A arte já não é mais o espaço de contemplação, mas um espaço de questionamento. Estamos em um espaço de sombras, de dúvidas, de obscuridade... Fica cada vez mais difícil de ver, de entender... A arte não revela, esconde. Não reponde, pergunta. Estamos na arte contemporânea no espaço do (in)visível, do que está oculto, da negação, do ruído... só nos resta procurar as pistas, as nuances, as possibilidades...Trazendo para da literatura, diria que estamos no território das reticências... Estaríamos, segundo a autora, na arte contemporânea, diante de uma impossibilidade de leitura, que nos propõe uma outra forma de experenciar a arte:

“(...)A arte nos ensina porque nos coloca frente a um ensinamento “outro”, de outro “modo de ser”, diante de uma experiência com o que nos ultrapassa, do infinito, em que o ser do objeto se nega a vir à luz, e, ao negar-se, leva-nos ao encontro do seu “ruído”, dos vestígios que o ser da obra marca, essa riqueza inominável do que é ser arte na contemporaneidade.”



Nesse contexto, o arte-educador mudaria também seu papel tradicional e passaria a ser mais um auxiliar de seus alunos na percepção dos “ruídos” da arte contemporânea, de outros caminhos possíveis, de “uma arte que é essencialmente ‘um absolutamente outro’, por apresentar algo muito além do que damos conta de ‘dizer’.” Trata-se de uma mudança radical e nada fácil. Mudar hábitos arraigados pelo tempo e pela tradição nunca é simples. Não sei se estamos suficientemente preparados para abandonar nossos conceitos. Não sei nem se seria o caso de abandoná-los. A arte contemporânea não permite mais que a interpretemos através dos conceitos antigos. A arte contemporânea não explica mais o mundo, mas o problematiza, questiona, nos desafia, nos traz mais dúvidas do que certezas, e está seria a grande aprendizagem da arte contemporânea, a possibilidade de estarmos diante de um “abismo”.
Referências:

Koneski, Anita Prado. A Estranha Fala da Arte Contemporânea e o Ensino da Arte. Disponível em

http://ppgav.ceart.udesc.br/revista/edicoes/1ensino_de_arte/4_palindromo_anita.pdf
















O Ensino de Artes Hoje

  O ensino de artes hoje nos apresenta muito mais perguntas do que respostas. A arte contemporânea apresenta uma crise de leitura para os professores, espectadores e para o próprio crítico de arte. Perguntas problemáticas  como: o que é a arte hoje? Como ler a arte? Para que serve a arte? Exigem um posicionamento do ensino de artes nas escolas, direcionado ao aluno que está em contato com a arte problematizada, ou seja, a arte contemporânea, a qual está nas ruas, Bienais, etc. O ensino de artes visuais possibilita ao educador utilizar diversos caminhos para ajudar seus alunos na compreensão desta arte que impõe pensamentos "outros" diante da crise de interpretação que vivemos. É necessário que os professores de artes visuais reflitam sobre um outro modo de ser, sem esperar resultados, pois a arte de hoje provoca-nos um estranhamento e estamos presos pela hereditariedade da tradição a pensar e ler a arte de modo obsoleto. A  arte visual de hoje questiona a si própria e não dá respostas, mas cria metáforas e transgredi tabus, enriquecendo nossas vidas e apresentando muito mais perguntas do que respostas. O professor de artes visuais não deve dar respostas prontas à seus alunos, mas ajuda-los a perceber a riqueza que esta arte proporciona, sem a preocupação de estar dentro dos moldes tradicionais, reduzindo a arte a um formalismo. Precisamos nos desapegar dos velhos hábitos de procurar as respostas certas para tudo e  apreciar o que a arte de hoje nos oferece, que não é mais a explicação do mundo, mas sim sua problematização.

domingo, 15 de maio de 2011

Desenhos de Ibere Camargo

Estes são alguns desenhos feitos por Iberê Camargo que estão em exposição " A Linha Incontornável" na Fundação iberê Camargo em Porto Alegre.












  Sabemos que a escola é uma instituição social que deve promover situações de aprendizagens que permanecem por toda a vida.Tem-se muito a visão de que o mais importante é trabalhar conteúdos escolares, esquecendo-se da formação humana, dos valores morais que um sujeito deve ter, das questões de cidadania. Hoje em dia fala-se muito em interdisciplinaridade, a forma de se juntar diferentes conteúdos em um único projeto educativo. Os passeios são formas de se ajustar as necessidades da educação.
  Para se fazer uma visita a um museu é interessante haver relação entre o conteúdo de história, artes, ciências, e até mesmo da própria matemática. O importante é a escola se estruturar, não fazendo apenas mais um passeio, mas dando especificidade ao mesmo, através de uma proposta pedagógica que vise a integração do trabalho pedagógico à experiência concreta, vivida. Levar essas discussões para a sala de aula é uma forma de conscientizar os alunos do processo educativo que estarão sujeitos, dando um direcionamento para os mesmos do trabalho que será desenvolvido, bem como dos objetivos a serem alcançados.
  Os alunos devem participar das discussões, levantar as primeiras pesquisas, montar cartazes sobre os temas, fazerem uma prévia de conhecimentos sobre o projeto, a fim de orientá-los, prepará-los para o passeio e aguçar a curiosidade sobre o assunto. Dessa forma, não chegam ao local sem terem a mínima noção do que poderão aproveitar, conhecer e aprender.
  É importante conversar sobre a veracidade dos documentos e obras ali existentes, as principais formas de preservação desses materiais, da integridade física dos mesmos, do seu papel social com a comunidade, propondo a investigação, aguçando a curiosidade, conseguindo manter uma comunicação verdadeira acerca de um museu.




  Nosso grupo da EJA da E.M.E.F. Zaira Hauschild de São Leopoldo visitou no dia 12 de maio de 2011 a Fundação Iberê Camargo localizada na cidade de Porto Alegre. Foi um passeio de estudos, onde aliamos descontração e aprendizado. Tivemos a oportunidade de ver desenhos de Iberê Camargo, além de quadros seus. Também apreciamos a exposição "Mil e Um Dias e Outros Enigmas" de Regina Silveira. Nosso próximo passo será trocar as impressões obtidas nesta visita. Discutiremos também os aspectos que os alunos consideraram positivos, os negativos e qual aprendizado foi construído com a visita.