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sábado, 16 de julho de 2011

Relatório de Observação do Ensino de Artes no Ensino Fundamental

Relatório de Observação do Ensino de Artes no Ensino Fundamental


1. Identificação do nível de ensino e características gerais da turma:
Esta observação foi feita em uma escola municipal de ensino fundamental na zona urbana de São Leopoldo, considerada uma área nobre da cidade. A escola atende atualmente 320 alunos entre a educação infantil e o 6º ano, divididos nos turnos manhã e tarde. A turma observada foi um 3º ano do turno da manhã que tem como características ser uma turma com algumas crianças com necessidades especiais, incluindo um aluno com a Síndrome de Asperger, uma aluna com TDA-H e outros casos como problemas de comportamento. A turma é constituída por 21 alunos dos quais a maioria estuda nesta escola desde o 1º ano, não sendo considerada uma turma homogênea em relação a aprendizagem, pois alguns alunos possuem bastante dificuldades de aprendizagem.

2. Aspectos relativos à formação e atuação do/a professor/a (sem citar nome):
A professora tem formação em Pedagogia e atua no magistério há 19 anos, sempre lecionando para as séries iniciais. Seu trabalho tem como base os valores morais, a socialização do aluno e o desenvolvimento de habilidades como desenho, pintura, recorte e colagem principalmente. Conhece bem os alunos e as dificuldades de cada um. É o segundo ano
que atua como professora de artes, em anos anteriores tinha regência de turma.

3. Caracterização do espaço de trabalho e recursos disponíveis:
A sala de aula tem um tamanho adequado á quantidade de alunos da turma, sendo bem iluminada e arejada. Possui cortinas nas janelas e está sendo instalado um ar condicionado por ser uma sala muito quente durante o verão. As crianças dispõem de diversos recursos materiais na própria sala de aula. Há cartazes nas paredes da sala como o de ajudante do dia, aniversariantes, alfabeto ilustrado, varal para pendurar os trabalhos, um computador, estante com livros didáticos, revistas para recortar, brinquedos, armário com materiais da professora e outros de uso da turma. A aula de artes é dada uma vez por semana e tem a duração de duas horas.

4. Observação da situação de ensino-aprendizagem:
A professora escreveu no quadro verde o roteiro da aula para que os
alunos copiassem.
Primeiro os alunos terminaram o trabalho da aula anterior. A seguir foi contada a história sobre um tigre que vivia debochando dos outros animais da floresta. As palavras da história que as crianças não sabiam o significado a professora explicava. Durante a leitura a professora conversava com as crianças a respeito das atitudes do personagem. Os alunos começaram a relacionar a história com acontecimentos de suas vidas e a relatá-los aos colegas. Foi discutido o relacionamento e o respeito entre as pessoas. Ao término da história a professora discutiu com as crianças sobre o comportamento do personagem e explicou como seria o desenvolvimento da atividade: disse que deveriam pintar o desenho do tigre bem forte e caprichado, recortando em seguida e montando o tigre. Mostrou um trabalho pronto feito por ela e demonstrou como recortar a parte do trabalho que é uma espiral. Distribuiu as folhas com os desenhos mimeografados para os alunos começarem o trabalho.
Houve um planejamento prévio desta aula por parte da professora, mas para mim não ficaram claros os objetivos desta atividade. Seriam eles somente pintar o desenho dentro dos limites, recortá-lo e montá-lo? Aparentemente sim. Não percebi novas construções de conhecimento por parte dos alunos, já que as habilidades aqui desenvolvidas já lhes são corriqueiras, como pintar, recortar e colar. A criatividade também ficou tolhida, pois quase todos alunos pintaram o desenho com as mesmas cores e da mesma maneira, conforme o modelo mostrado pela professora.
A avaliação é feita pela professora no decorrer da aula levando em consideração a participação do aluno e o capricho com o material utilizado.
Exemplo do trabalho feito pela professora e mostrado para a turma.
Texto Reflexivo:
Com base nas reflexões teóricas lidas esta aula não desenvolveu o construtivismo crítico, pois não levantou questões sobre alguma ideia-chave nem tão pouco propôs questões sobre alguma representação visual produzida em outro tempo e lugar. Piaget coloca que o conhecimento emerge da relação dialética do sujeito com o objeto, e que no caso da Arte e seu ensino é
necessário levantar questões sobre os temas, ideias-chave, como a mudança, a identidade, a representação de fenômenos sociais e indagar como essas concepções afetam cada um. A meu ver não houve o ensino da interpretação nesta proposta de aula, não adquiriram novos conhecimentos e também não desenvolveram novas habilidades. A criatividade não teve espaço, pois todas crianças pintaram o mesmo desenho utilizando o mesmo material. Além disso, a sala também mostra imagens estereotipadas, como o palhaço e a borboleta dos cartazes que aparecem nas fotos acima. Notei que a professora tem como hábito dar os modelos prontos aos alunos, não proporcionando a criação, nem desenvolvendo a observação. Infelizmente esta prática é muito comum nas escolas porque torna a aula mais “silenciosa”, “sem bagunça” e “sem sujeira”.
Faltam imagens visuais de qualidade não só na sala de aula como também no restante da escola, além da professora precisar se desacomodar, criando aulas que desenvolvam nos alunos novas experiências e aprendizagens.

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